Imagine passar meses planejando as férias perfeitas, só para perceber que passou boa parte do tempo olhando para o celular.
Para muitos viajantes, esse cenário está se tornando cada vez mais comum. Os smartphones agora nos acompanham em todos os lugares, desde salas de espera de aeroportos até trilhas nas montanhas, moldando silenciosamente a forma como vivenciamos os lugares para onde viajamos para escapar do cotidiano.
Uma nova pesquisa encomendada pela Flash Pack e conduzida em fevereiro de 2026 pela One Poll, sobre viagens de desintoxicação digital, sugere que, embora as pessoas queiram se desconectar, largar o celular é mais difícil do que se imaginava. Um estudo com 2.000 turistas britânicos revelou que 88,1% dos viajantes gostariam de usar menos seus celulares durante as férias, mas apenas 81,3% afirmam se desconectar completamente enquanto viajam.
O resultado? Muitos dos momentos criados para nos ajudar a relaxar, reconectar e explorar ainda competem com a força das notificações e das redes sociais.
O tempo de tela oculto durante as férias
As férias deveriam proporcionar uma pausa na rotina diária. No entanto, os smartphones continuam a dominar nossa atenção.
Segundo a pesquisa, 271 mil viajantes passam mais de duas horas por dia usando o celular enquanto estão fora de casa. Considerando uma média de 75 minutos diários de uso de tela, isso equivale a cerca de 1,1 dia de férias de duas semanas perdido devido ao uso do celular.
Em vez de se imergirem completamente no novo ambiente, muitos viajantes se veem checando e-mails, navegando nas redes sociais ou respondendo a mensagens.
Isso acontece mesmo que 771 mil viajantes digam que vão de férias especificamente para desligar e recarregar as energias.
Por que desconectar-se ainda parece "extremo"“
Apesar do desejo evidente de se desconectar, muitas pessoas ainda veem o desligamento digital como uma medida drástica.
O estudo revelou que 461 mil e três mil viajantes consideram desconectar-se dos seus telemóveis uma experiência "extrema", número que sobe para 581 mil e três mil entre as pessoas com idades entre o final dos 30 e o início dos 40 anos.
Os smartphones tornaram-se tão presentes no nosso dia a dia que até mesmo uma desconexão temporária pode parecer desconfortável. Para muitos viajantes, a ideia de se desligar completamente parece irreal.
Em vez disso, as pessoas estão cada vez mais buscando maneiras de reduzir o uso do telefone sem deixar de desfrutar de experiências de viagem significativas.
Uma mudança em relação aos retiros de bem-estar tradicionais

A pesquisa também revela mudanças de atitude em relação ao bem-estar durante as viagens.
Retiros de spa tradicionais e escapadas tranquilas para o bem-estar estão se tornando menos atraentes para alguns viajantes. Na verdade:
- 371 mil viajantes afirmam não ter interesse em retiros com spa ou em meio à natureza.
- 26% descrevem as pausas focadas em spa como repetitivas ou pouco inspiradoras.
Até mesmo a linguagem do bem-estar parece estar perdendo seu impacto. Cerca de 651% dos entrevistados disseram que termos como mindfulness, meditação, ioga ou "bem-estar" soam desinteressantes.
Isso sugere que os viajantes podem estar buscando maneiras diferentes de recarregar as energias.
A aventura é a nova forma de recomeçar.

Em vez de apenas reflexão tranquila, muitos viajantes agora associam o bem-estar à aventura e a novas experiências.
A pesquisa constatou que:
- 561% dos viajantes preferem experiências que os desafiem e os tirem da sua zona de conforto.
- 49% busca ativamente novas experiências ao viajar.
- 28% dizem que atividades de aventura melhoram seu humor.
Atividades como caminhadas, caiaque, safáris ou exploração de culturas desconhecidas incentivam naturalmente os viajantes a se concentrarem no momento presente em vez de em suas telas.
Essas experiências criam memórias que raramente envolvem um telefone.
A importância da conexão social
Outra descoberta fundamental é a crescente importância da conexão humana durante as viagens.
Muitos viajantes relatam sentir-se mais revigorados quando compartilham experiências com outras pessoas.
- 51% dizem que suas férias mais revigorantes foram aquelas em que se sentiram parte de um grupo.
- 42% dizem que formar novas conexões com outras pessoas os ajuda a se sentirem mentalmente revigorados.
Quando as pessoas estão envolvidas em uma conversa, em uma aventura compartilhada ou em uma descoberta cultural, a tentação de checar o celular geralmente desaparece naturalmente.
Nesses momentos, viajar retorna ao seu propósito original: vivenciar o mundo e conectar-se com as pessoas ao nosso redor.
Por que estar presente é importante
Os smartphones mudaram a forma como vivenciamos o mundo. Eles nos permitem capturar memórias instantaneamente, navegar por lugares desconhecidos e manter contato com as pessoas em casa.
Mas elas também podem desviar nossa atenção das experiências que estão acontecendo bem diante de nós.
Criando momentos sem celular viajar permite que as pessoas:
- Perceba detalhes que eles poderiam passar despercebidos.
- Envolva-se mais profundamente com novos ambientes.
- Desfrute de conversas sem interrupções.
- Crie memórias mais fortes e vívidas.
Estar presente não significa necessariamente abandonar a tecnologia por completo. Muitas vezes, significa simplesmente escolher momentos em que o celular permanece no bolso.
O crescente apelo das viagens de desintoxicação digital
Com o aumento da conscientização sobre a sobrecarga digital, mais viajantes buscam viagens que incentivem pausas intencionais da tecnologia.
Em vez de impor proibições rígidas ao uso de celulares, muitas experiências agora se concentram em criar ambientes onde os dispositivos naturalmente se tornam secundários — por meio de aventuras ao ar livre, imersão cultural e atividades compartilhadas.
Esses momentos ajudam os viajantes a se reconectarem com algo que pode ser facilmente perdido no dia a dia: a capacidade de se concentrar totalmente no presente.
Viajar ainda é uma das melhores maneiras de se desconectar
A pesquisa destaca uma contradição interessante. As pessoas sabem que o uso constante do celular reduz a qualidade de suas férias, mas mesmo assim desconectar-se continua sendo difícil.
Mas os momentos que os viajantes mais lembram raramente envolvem uma tela.
Elas acontecem enquanto assistimos ao nascer do sol, exploramos paisagens desconhecidas, compartilhamos histórias com novos amigos ou vivenciamos uma experiência completamente diferente do cotidiano.
Nesses momentos, o telefone se torna irrelevante e viajar se transforma no que sempre deveria ter sido: uma oportunidade de estar plenamente presente no mundo ao nosso redor.


